O governo central registrou superávit primário de R$ 12,3 bilhões no primeiro semestre de 2025. O resultado é positivo — e melhor do que o esperado no início do ano. Mas a composição do resultado merece atenção antes de qualquer comemoração.
Parte significativa do superávit veio de receitas extraordinárias: dividendos de estatais, repatriação de recursos e receitas de concessões. Essas receitas não se repetem automaticamente no segundo semestre. A despesa primária, por sua vez, cresceu em linha com o previsto.
Economistas distinguem entre o resultado primário "estrutural" — que reflete a tendência de longo prazo das receitas e despesas — e o resultado "conjuntural", que inclui fatores temporários. O resultado estrutural do primeiro semestre é menos positivo do que o número headline sugere.
"Um superávit construído sobre receitas extraordinárias é frágil. O teste real é o segundo semestre, quando essas receitas não estarão disponíveis."
O governo precisa de um resultado primário de pelo menos R$ 8 bilhões no segundo semestre para fechar o ano dentro da meta do arcabouço fiscal. Isso é factível, mas exige controle de despesas em um período eleitoralmente sensível — 2026 está se aproximando.
O mercado monitora de perto a evolução do resultado fiscal. Uma deterioração inesperada no segundo semestre poderia pressionar o câmbio e os juros longos, revertendo parte dos ganhos recentes.